terça-feira, 31 de maio de 2011

Roteiro Olinda

Foto: Divulgação - Terça do Vinil
Terça do Vinil
Bodega do Véio (Rua Amparo, 212, Amparo - Olinda)
19h
3429 0185

Olinda Blues Style
Cachaçaria Virgulino (Rua do Sol, 319, Carmo - Olinda)
00h
3429 8573

Lançamento da biografia de Fela Kuti - "Fela Esta Vida Puta"

O Memorial Chico Science (MCS) inicia um programa Afrobeat esta semana! O lançamento em Pernambuco da biografia do músico nigeriano Fela Kuti.  "Fela Esta Vida Puta" - inicialmente lançando em francês e inglês nos anos 80 - ganha este ano sua primeira edição em língua portuguesa pela Nandyala Editora. O livro organizado pelo cientista político, etnólogo e escritor cubano Carlos Moore, que há 10 anos reside em Salvador, narra a trajetória do incansável revolucionário Fela Anikulapo Ransome Kuti (1938 - 1997), representante máximo do Afrobeat.

Programação MCS:

01 de junho 

Mostra Fela
Sessão dupla
10h – Fela Kuti and the Egypt ’80 Band ao vivo em Glastonbury 1984
(70 min.)
15h – Fela Kuti and the Egypt ’80 Band ao vivo em Glastonbury 1984
(70 min.)

Podcast MCS Especial – memorialchicoscience.com/podcast

Convidado: Greg Fernandes, jornalista do blog de música: youandmeonajamboree.blogspot.com.

02 de junho


Mostra Fela
Sessão dupla
10h – Fela Kuti Music is the Weapon de Jean-Jacques Flori e
Stephane Tchalgadjieff (53 min.)

15h – Fela Kuti Music is the Weapon de Jean-Jacques Flori e
Stephane Tchalgadjieff (53 min.)

Podcast MCS Especial – memorialchicoscience.com/podcast

Convidado: Alexandre Garnizé, historiador etnomusicólogo e
percussionista da Abayomy Afrobeat Orquestra.

17h – Conferência com Carlos Moore. 

18h – Lançamento Biografia "Fela Esta vida puta".

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Jack Johnson

Centro de Convenções de Pernambuco (Complexo de Salgadinho, Olinda)28 (SÁBADO) 21h
R$ 200,00 (Inteira) e R$ 100,00 (Meia) e R$ 250,00 (área Vip)

Roteiro Blues


E durante o resto da semana:

Segunda-feira 22h
Recife Blues Session
Caravela1s Cyber Café
Rua do Bom Jesus, 18,, Recife Antigo

Terça-feira 00h
Olinda Blues Style
Cachaçaria Virgulino
Rua do Sol, 319, Carmo (Olinda)

Quarta-feira 21h30
Projeto AbluesADO
Casa da Moeda
Rua da Moeda, 150, Bairro do Recife

Quinta-feira 21h
Amigos do Blues
Botequim da Hora
Rua da Hora, 348, Espinheiro

Sábado 22h
Handmade Blues
Espaço Banquete
Rua do Lima, 195, Santo Amaro


Show Thera Blue

Sesc Santo Amaro
01/06 (PRÓXIMA QUARTA-FEIRA) 20h27
Só para convidados | 1 kg de alimento não perecível.
Para este show inédito, estão programadas surpresas imperdíveis de um elaborado e maciço repertório.

Infantil

Os 3 super porquinhos
Teatro Valdemar de Oliveira
Dom
10h30
R$ 20 e R$ 10
A encenação se passa em uma aldeia bem distante e retrata a história de D. Porquinha e seus três filhos, Bola, Bolinha e Bolão. D. Porquinha chamou os três filhos e deu a cada um deles um saco de dinheiro guardado por ela durante toda a vida para esse momento. Um comprou tijolos e cimento, o segundo, madeira e pregos e o terceiro, palhas e algumas varas de bambu. E assim muitas coisas aconteceram na história.
Direção e produção Roberto Costa

Os Saltimbancos
Teatro Alfredo de Oliveira
Dom 10h30
Com direção e produção de Ricardo Silva, o Grupo Cênico Humantoche  narra a história do encontro de quatro animais que, devido aos maus tratos, fugiram de seus patrões. Juntos, decidem formar um grupo musical e rumam à cidade para começar a carreira artística. No meio do caminho encontram seus antigos donos e temendo serem escravizados, resolvem enfrentá-los.

João e Maria
Teatro Alfredo de Oliveira
Dom 16h30
O espetáculo, encenado pela Atua Cia de Teatro, conta uma das clássicas versões da obra dos irmãos Grimm. No palco, cinco atores contam a fábula de dois irmãos, que perdidos na floresta encontram uma casa de doces e biscoitos. Só não imaginam que por trás de tanta gostosura, esconde-se o perigo que eles terão de enfrentar para assim retornarem às suas casas. Direção de Ibson Quirino, direção musical João Natureza. Produção de Angelis Nardelli.

A Revolta das Chupetas
Casa da Cultura (Teatro Clênio Wanderley)
Dom
10h
R$ 10
Teleco, menino dentuço e tímido que passa a maior parte do tempo no seu quarto-oficina-laboratório inventando brinquedos e geringonças. Entre eles está o Robox, um robô incrível, cheio de tecnologias e dispositivos. A mãe de Teleco, D. Grassu, está organizando uma campanha contra o uso de chupetas e mamadeiras, diminuindo assim as vendas e a produção na fábrica do Rei Lata, que fica furioso e manda seus agentes secretos para acabarem com essa campanha. Criação e direção: Sebastião Simão Filho.  Manipuladores: Sara fogo, Sebastião Simão Filho e Renata Alves


ÚLTIMOS DIAS DAS EXPOSIÇÕES

Expo ECO
Estação Cultural José Ermírio
Até 29 Ter a Dom
13h às 17h
Trabalho inédito, sob a curadoria de Maria Eduarda Belém e Lúcia Padilha Cardoso, de intervenção sonora e de imagem. A exposição dialoga com a arquitetura dos anos 1950 do arquiteto Paulo Vaz e traz nomes do circuito das artes visuais do País que desenvolvem trabalhos com ferramentas multimídias, como o coletivo Chelpa Ferro/RJ, os artistas Lucas Bambozzi, Ricardo Carioba e o pernambucano Thelmo Cristovam.

Dos Seres Imaginários
Sesc Casa Amarela
Até 31 09h às 19h
Gratuito
O projeto Vias da Arte traz as obras do artista Airton Cardim. A exposição conta com um acervo de gravuras e desenhos em nanquim em companhia da técnica de invenção urbana contemporânea, popularmente conhecida como lambe-lambe. Com um traço preciso e cheio de personalidade, o artista mostra em seu trabalho uma viagem ao universo fantástico das figuras míticas, explorando o imaginário coletivo popular.

Síntese
Marante Plaza Hotel
Até 31
Gratuito
Sob a curadoria de Sebastião Barbosa, participam da mostra diversos artistas em áreas distintas das artes visuais, como a escultora Aruza Souto, a artesã Conça Marinho (arte em caixas) e os pintores: Alba Oliveira Lima, (Alex) José de Souza Alencar, Adirson Ferro, Cristiane Gouveia, Elenita Kuster, Germano, Humberto Zirpoli, Lígia Pessôa, Solange Abath, Sergio Birukoff e Vânia Asfora.
 

Fim de semana cênica

ABANOI – desse lado onde estás
Teatro Joaquim Cardozo-Ufpe

27 20h

R$20 e R$10
O espetáculo conta a história de um fantasma que reaparece para lembrar sua origem, constatando a existência da luz e das trevas, relembrando a presença permanente de uma criatura antiga e formidável que caminha na terra imperturbável – A Vida e a Morte. Através dos tempos, um fantasma relembra coisas que não podem ser esquecidas – como a escravidão dos povos africanos, a colonização dos continentes, a opressão dos povos oprimidos – e que ainda permanecem mal resolvidas e, assim, cumprindo uma maldição, ele ressurge ao longo dos tempos encarnando o eterno anseio da liberdade, não só da pátria, como do próprio ser humano, sempre frágil e efêmero.
Criação e performance: Júnior Aguiar Produção: Coletivo Grão Comum.


Odemar
Casa da Cultura - Hall Central
27 e 28 20h
R$ 10
O espetáculo, premiado no 17º Janeiro de Grandes Espetáculos, encena sobre o poema do poeta português Fernando Pessoa, Ode Marítima. Na peça, um indivíduo à beira de um cais mistura tempo e espaço tendo o mar e seus elementos como metáforas de temas como amor, loucura, solidão e saudade. Direção, atuação e cenografia: Sebastião Simão Filho.



Então... Deu no que deu!

Teatro Boa Vista

28 21h

R$ 40 e R$ 20

R$ 30 (Promocional) *Apenas para os 100 primeiros.
Nesta primeira incursão solo pelo universo do stand up comedy, a humorista Nany People usa um texto descontraído para satirizar situações do cotidiano, suas experiências no reality “A Fazenda 3”, e as diferenças entre os universos masculino e feminino de maneira bem humorada, elegante e altruísta.

O Canto de Gregório
Teatro Hermilo Borba Filho
Sex e Sáb
20h | Dom 19h
R$ 16 e R$ 8
Perdido nos labirintos da lógica formal, Gregório se bate inutilmente em busca do conhecimento de si mesmo, inquieto com o sentido de suas próprias ações. Um poço de incertezas, um cidadão acometido pela paixão da razão, incapaz de aceitar os limites humanos e se conformar com eles. Direção de Pedro Vilela, texto de Paulo Santoro  e realização do Grupo Magiluth.

Chapeuzinho vermelho... Essa história sua vó não contou!!!

Teatro Valdemar de Oliveira

Sáb 21h e dom 20h

R$ 15

Karla Patrícia é uma estudante de direito que mora na cidade de Garapú - Cabo. A mando de sua mãe, Chapéu leva doce, frutas e remédios para sua vó, em Camaragibe. Viciada em Internet Karla Patrícia é seguida por Pimentel Lobo até Camaragibe. No meio do caminho, mil coisas estranhas acontecem.  Texto de Antonio Nogueira,direção de Manoel Constantino. No elenco: Flávio Luiz, Mário Miranda, Eduardo Japiassú, Aurino Xavier, Jô Ribeiro e Rafael Almeida.




Branca de neve, depois do felizes para sempre!!!

Teatro Alfredo de Oliveira

Sáb e dom 18h30
R$ 10

Uma Branca de Neve aparece como uma garota bem diferente do conto original. A pergunta que não quer calar: o que aconteceu com Branca de Neve, e suas amigas, após o final felizes para sempre? Muitas brigas, discussões, fofocas e mentiras vêm à tona na vida da protagonista e seu marido príncipe Eduard, um sujeito muito suspeito. O espetáculo tem produção e realização da Rezove Produções e Cia. Texto e direção de Dayvd Faschion




MARéMUNDO

Teatro Joaquim Cardozo-Ufpe

Sáb e Dom 20h

Estréia dia 07

R$20 e R$10

 A encenação conta a história do pescador Beira-mar que foi enfeitiçado durante uma pescaria e agora precisa quebrar o encantamento, cujo caminho é uma travessia sobre o mar. E o mar é o mundo. É gigante e misterioso, místico e enigmático. Beira-mar precisa descobrir no meio do oceano um lugar para resgatar o sonho, para reencontrar seu destino.

Criação e performance: Arthur CanavarroProdução: Coletivo Grão Comum





quinta-feira, 26 de maio de 2011

O projeto Clássicos da MPB traz ao Teatro Guararapes, Centro de Convenções, sábado (28), o cantor e compositor Beto Guedes. O mineiro vem ao Recife para fazer o lançamento do CD e do DVD Outros Clássicos. O show de abertura será do quinteto feminino Flor de Muçambê.


R$ 80 (plateia), R$ 60 (plateia superior) e R$ 40 (balcão).
Para todos os lugares, há ingressos meia-entrada disponíveis.

Os ingressos estão à venda na bilheteria do teatro, nas lojas VR dos Shoppings Recife e Plaza e também podem ser comprados e entregues à domícilio através do telefone 3082 2830

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ivonete Melo

Por Joás Benedito
Fotos Joás Benedito

Ao contrário do que muita gente pensa, ser ator/atriz não é nada fácil. O que antes era comparado a uma prática marginal passa a ser hoje uma atividade regulamentada por lei. Esqueça a ideia de que a cena pernambucana é limitada para estes profissionais. Quem garante isso é Ivonete Melo. Atriz, bailarina e presidente há 8 anos do Sindicato dos Artistas e Técnicos de Pernambuco, SATED. Em conversa com o repórter e fotógrafo Joás Benedito, ela fala um pouco de sua trajetória artística, sua profissão e suas conquistas.
Os processos para se registrar profissionalmente e as oportunidades no mercado de trabalho,para quem tem criatividade e se dedica.

Quando você começou a se envolver com as artes cênicas?
Eu comecei muito cedo, quando estudava ainda num colégio. Era um colégio modelo onde tinha todas as artes desde a música. Eu tocava em bandinha, eu fazia parte do balé e fazia parte do grêmio. Então, assim, eu comecei em um colégio em Afogados e lá tinha todas as artes possíveis e imagináveis. Eu cantava também no orfeon, um canto coral o qual eu era primeira voz e surgiu uma série de coisas e foi daí que partiu o meu gosto pelas artes, então quando eu saí de lá eu fui para o Teatro de Santa Isabel e entrei no corpo de baile, fiz uma prova, lógico né, porque antigamente a prefeitura tinha um corpo de baile e eu fazia parte, e lá estudei 11 anos, depois fui pra Flávia Barros, estudo de dança e fiz com Norma Bittencourt e dentre de tantos e tantos cursos ensinei e estudei vários anos e aí foi quando surgiu um grupo em Olinda e me chamou para fazer um trabalho de corpo e eu fiquei lá fazendo teatro até hoje. Depois fiz curso de formação para ator pela Universidade Federal do Joaquim Cardoso, acho que foi o primeiro curso de formação de ator, e depois fiz curso com Marco Siqueira e fui por aí. Hoje sou diretora do SATED.

Você atua em outras áreas, fora os palcos e o sindicato?
Eu faço trabalhos para o Ministério da Saúde, com trabalhos de conscientização com relação às doenças, a conscientização sobre a importância do saneamento, de economizar a água, quer dizer, eu faço também trabalhos nessa linha. Trabalhos de rua ligados ao meio ambiente, em escolas, praças públicas, feiras. É um trabalho de conscientização.

Hoje, qual é a sua contribuição para o teatro pernambucano?
Olhe, eu acho que eu já dei grandes contribuições para o teatro pernambucano, porque não é à toa que tem, acho que seis livros escritos. Só de Leidson Ferraz têm quatro livros que é a Cena pernambucana, nos quatro livros eu estou citada. Tem um livro de Arnaldo Siqueira de dança que também eu estou lá, tem o livro Mulheres que mudaram a história de Pernambuco, que também tem a minha história, as peças que eu fiz, os diretores que me dirigiram. Tem o livro de Lucia Machado, falando sobre o meu trabalho, falando sobre o grupo que eu trabalhei. Claro que eu ainda sou atriz que eu ainda atuo, a última peça que eu fiz foi Anjos de fogo e gelo, mas, a minha contribuição maior hoje é no sindicato.

O SATED surgiu a partir de qual necessidade?
Ele surgiu em 87 porque existia uma associação, a APATEDEP, Associação Profissional dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de Pernambuco. Era uma asociação de amadores, então depois dessa associação, em todos os estados estavam surgindo os sindicatos,  a nossa lei do artista tinha sido criada em 1978 e a gente teve essa necessidade. Na época era Paulo de Castro, presidente da associação. Ele batalhou junto com os artistas e chegou a formar o sindicato.  

Como ele funciona e se mantêm?
Funciona de segunda a sexta de 09 às 17h. Abrange a áreas de circo, dança, teatro, moda, cinema e vídeo. Ele tem um jornal já há 11 anos, o Ribalta, ele tem o Culturaprev, que é uma aposentadoria complementar do artista. A gente procura fazer o possível e o impossível para que o associado se satisfaça. A gente também dá todas as orientações sobre as leis, os editais, porque o artista hoje não tem que ser só o artista, ele também tem que ter conhecimento de empreendedorismo, ele precisa ter esse conhecimento porque o artista só é muito pouco. Então é preciso que ele entenda todo o processo se antene e se intere de tudo que está acontecendo ao seu redor. O SATED se mantém com as mensalidades dos artistas, com projetos de convênios que a gente faz com os associados, contratos e etc. No sentido de oficinas, Janeiros de Grandes Espetáculos, as oficinas somos nós que fazemos. Quando eu assumi aqui a minha carta de intenção foi parceria, porque eu acho que hoje em dia a gente não faz mais nada sem a ajuda do outro. Então é isso, o sindicato está aqui para servir o trabalhador o associado. Todo o mês de maio a gente tem o nosso dissídio coletivo, tem as tabelas de pagamento. Hoje, somos um sindicato conhecido nacionalmente devido a todo esse processo de interação com os outros estados e também porque a gente se encontra, a gente tem um conselho nacional de sindicatos que discute sobre o código de ética do artista.

Fora Pernambuco, o sindicato existe em outros estados?
Tem na Bahia, tem em Alagoas, tem no Ceará, na Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Brasília, Santa Catarina tem em quase todos os estados. Mas o pioneiro foi o do Rio de Janeiro, fundado em 1918.

Quais são os requisitos básicos para o ator / atriz conseguir o registro profissional?
Para se tirar um registro profissional, tem que comprovar que em 5 anos foram desenvolvidos trabalhos voltados para o teatro, com declaração, certificados, jornal tudo o que ele já fez na vida. O candidato passa por uma oficina de 3 dias, depois faz a prova prática, a gente distribui entre três e quatro textos para eles escolherem qual eles querem fazer e no dia a gente vai com uma banca examinadora formada por três pessoas. Eles são julgados pela interpretação, domínio de palco e pela voz. Tem a avaliação do currículo e a prova escrita também. Então as quatro notas o candidato tem que ter uma média sete. No ato da inscrição a gente dá uma apostila onde fala da origem do teatro até o teatro hoje, tudo muito resumido, tudo muito mastigado.

   
Em média, quantas pessoas procuram o SATED para se profissionalizar?
O número em média eu não sei informar porque varia muito. A gente faz duas vezes por ano, em março e outubro. A gente abre as inscrições em fevereiro e em março. Abre a inscrição em setembro e faz a prova em outubro e depende muito, porque hoje a gente tem um convênio também com o SESC de Piedade, que tem um curso de formação de 2 anos. No final do curso a gente vai com a banca para a obtenção do registro profissional.  

Quais foram os atores que hoje representam o estado, na televisão, no cinema e no teatro, que passaram pelo SATED?
A gente tem lá fora o Bruno Garcia, o Tuca Andrade. A gente tem a Gisele Tigre, João Falcão. Temos muita gente lá fora que saíram daqui e graças a Deus deu certo.  

Você acha que o mercado de trabalho em Pernambuco é amplo para quem quer seguir a profissão de ator?
Tem campo para todo mundo. Basta você ser criativo e diferente, o ator pode fazer teatro em condomínio, teatro em escolas, teatro de rua, teatro para empresas, teatro no palco. Quer dizer, você faz mil coisas com o teatro, basta a sua criatividade, a sua disposição para trabalhar. Não é fácil, mas, já existe muita gente vivendo de teatro aqui em Pernambuco.

Qual é o piso salarial?
O salário varia, porque vai depender do projeto. Aqui tem o piso salarial por espetáculo, dentro da cidade. No teatro se você vai fazer uma temporada tem um piso que é R$133 por espetáculo, mas, se você faz um espetáculo alternativo, já é outro valor, e se você vai fazer uma peça dentro do projeto também é outro piso, se você sai da cidade, viaja, o cachê é dobrado.

Que dica você dá para quem quer começar na carreira de ator?
Primeiro ele tem que pensar muito, se é isso que ele quer, essa é a primeira dica. Depois estudar, se interar no assunto. E terceira, é tomar conhecimento sobre o empreendedorismo e ter coragem, muita coragem mesmo. As pessoas pensam que ser artista no modo geral é fácil, ganha fácil. Não sabe o que existe por trás, a trabalheira para se chegar até no palco. Somos discriminados até hoje, uma das coisas que eu trabalho muito aqui é a valorização. Se valorize, porque você se valorizando, valoriza o seu trabalho.


www.satedpe.com.br
sated-pe@ig.com.br
ivonete_melo@yahoo.com

9ª Semana de Museus

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Mijo de Rato

andersonarteepoesia@yahoo.com.br
Escrito pelo poeta e artista plástico Anderson Luiz Moura, o livro traz um conjunto de poemas que abordam diversas temáticas, dentre as quais podemos destacar a raiva, o amor, a solidão e as questões filosóficas. Na obra podemos encontrar dois poemas premiados pelo concurso da Fundação de Cultura do Recife em 2010. O livro é editado pela editora Livro Rápido (120 p.), R$ 25.

Adriano Marcena


Iniciado no mundo das artes pelo teatro, José Adriano Feitoza Apolinário criou seu próprio sobrenome unindo as palavras mar e cena, para usar como ator. Com o tempo, ele foi ampliando seus horizontes artísticos e culturais, tornando-se dramaturgo – sendo premiado com obras como A ópera do sol – e, mais tarde, um pesquisador da riqueza cultural do nosso povo. Em conversa com Felipe Mendes, Adriano Marcena conta como se envolveu nesse universo tão amplo, conta um pouco de sua história, reflete sobre aspectos da criação de nossa identidade e fala sobre o Dicionário da Diversidade Cultural de Pernambuco, lançado ano passado.

Você já tem uma longa trajetória ligada ao fazer e pensar cultura. De onde surge esse grande interesse em expressões tão variadas da cultura?
É uma coisa curiosa, porque no bairro onde eu morava, nos colégios de freiras em que estudei e fui expulso de vários... (risos) Eu só vim dar conta de ser gente mesmo quando fui para um colégio do Estado, e lá tinha grupos de teatro, de música, de capoeira. E no grupo de teatro do Colégio Alfredo Freire, em Água Fria, tinha Meia Noite, Jorge Souto Maior, Marcelino Freire, José Britto, Raimundo Branco da Compassos Cia de Dança, Ana Lúcia Lins, jornalista. Esse pessoal todo estava no mesmo contexto de um movimento cultural, e só fui me interessar realmente por essa área de manifestações artísticas de uma maneira geral dentro da escola pública.

Como se deu sua primeira experiência artística?
Como ator, em um grupo dirigido por Josenildo Marinho. Éramos eu, Ivaldo Cunha Filho, Itamira Andrade. A gente fazia um trabalho popular pelos bairros da periferia – vê, naquela época já se fazia isso – com espetáculos curtos.

E como a dramaturgia entra na sua vida?
Eu me lembro que escrevi para umas meninas quando tinha treze anos uma pecinha e elas ridicularizaram bastante porque tinha muito erro de português. A partir daí eu vi que tinha que deixar de brincar nas aulas para me dedicar a aprender português (risos). A minha geração em termos de dramaturgia é formada por Luis Felipe Botelho, Williams Santana, Moisés Neto. Nós estudávamos no Curso de Formação de Ator da Universidade Federal de Pernambuco. Foi a partir do curso que eu comecei a sistematizar mesmo e, em 1987, escrevi a minha primeira peça: Gelatina: sete máscaras de luz, que nunca estreou. Há aí a importância de duas figuras maravilhosas: Marco Camarotti e Milton Bacarelli, sobretudo para mim. Eu levei meus textos para o Camarotti e depois viramos amigos. Por influência dele, eu comecei a estudar e me interessar pela cultura, pelos valores simbólicos da cultura.

Você acabou não continuando a carreira de ator. Por quê?
Depois que terminei o Curso de Formação de Ator, só fiz um trabalho como ator mesmo, uma minissérie da TV Cultura de São Paulo: Zumbi, o rei do quilombo, de Walter Avancini. No meio do curso eu percebi que minha praia era mais ligada à direção e a escrever. Mas poucas pessoas sabem que eu fiz vídeo, fiz parte do movimento vídeo pós Super 8. Eu dirigi acho que o primeiro longa-metragem pernambucano em vídeo: A alma de nossas carnes. Fiz o Mênstruo, na TV Jornal, um vídeo extremamente experimental, sem diálogo nenhum, com Leila Freitas e Williams Santana, depois fiz Sou mais Recife.

Quando você se descobre um pesquisador, um pensador da cultura?
Eu me descobri pesquisador quando decidi fazer o Dicionário da Diversidade Cultural Pernambucana, em maio de 1999. Porque aí não podia mais pensar livremente como um artista numa ficção. Eu tinha que partir de pressupostos teóricos e metodológicos amarradinhos, que pelo menos definissem  aquilo com que eu queria trabalhar. Aí é quando eu volto à academia para estudar História.

Foram onze anos para construir o Dicionário da diversidade cultural de Pernambuco. Em que momento você decide fazê-lo?
Eu escrevi um livro chamado As mugangas de Zeca Apolinário na terra do vulcão encarnado. É a história de um menino que vem do sertão para o mar e encontra um cangaceiro em Serra Talhada, o Dragão do Mamulengo, o Vampiro do Cordel, e no final eu coloquei um glossário sobre todas essas coisas que ele foi encontrando: cordel, mamulengo, cangaço... Eu comecei a perceber o interesse das pessoas no glossário do livro e o interesse dos professores e alunos em tentar entender um pouco essa construção histórica da gente. Então decidi escrever o dicionário e, inicialmente, pensei em fazer um livro para criança. Depois os textos e verbetes foram ficando muito complexos e para dizer o que eu queria precisava citar alguém ou abrir uma discussão antropológica, histórica, sociológica em determinado verbete. Isso foi me afastando cada vez mais do universo da meninada.

Como foi a realização do dicionário? Que estratégias você usou para abarcar um universo tão amplo?
Eu tive que traçar uma metodologia interdisciplinar, transdisciplinar. Eu selecionei aqueles livros clássicos da nossa história, depois aqueles ligados à alimentação, dicionários etimológicos, e cada um desses livros eu ia lendo e retirando o que teria de referência a Pernambuco, mapeando tudo o que eu pudesse usar para o dicionário. Li também teses e dissertações, e depois comecei a enumerar personalidades.  O primeiro critério para entrar era estar morto, porque senão ia ter que colocar todos os vivos que andam por aí e num tem livro que dê (risos). O critério é cruel, mas eficaz. Eu precisava fugir também um pouco das fontes do arquivo público, das fontes bibliográficas e precisava pesquisar in loco. No dicionário tem todas as feiras que eu visitei. Passava três, quatro dias, anotando sobretudo a parte de alimentação, de artesanato, e pegando as expressões, muitas. Há um equívoco das pessoas em acharem que, como é um dicionário, é só de termos, de gírias e as pessoas se assustam quando abrem e encontram rapadura, cachaça, farinha, beiju. Outra coisa interessante é a história do campeonato pernambucano de futebol, seus times. O que eu acho mais interessante nesse trabalho não é tentar registrar Pernambuco, isso é quase impossível, mas as pessoas se sentirem representadas. A grande sacada é fazer a pessoa abrir o dicionário e, dez minutos depois, até inconscientemente, pensar: eu estou aqui. O que eu falo, o que como, bebo, xingo, torço, o que festejo, admiro, tudo aqui. A grande coisa do dicionário é essa, pernambucanos se sentirem retratados por ele.

Qual a importância de se pensar a cultura?
Eu hoje defendo cada dia mais uma visão de cultura que se afaste da arte. A arte é um dos elementos da cultura e está longe de ser o mais importante. A cultura tem que ser pensada por todo cidadão, mas os artistas são os mais engajados, estão mais ligados até profissionalmente a uma política pública de cultura. Já esse pensar acadêmico da cultura é interessante porque não há, dentro da construção de uma sociedade, de uma reflexão, como fugir de um corpo teórico, metodológico. Ainda em Pernambuco se pensa na arte como aquela coisa sobrenatural, um “dom que Deus me deu”, não se pensa muito como uma coisa de mercado, uma profissão qualquer como outra qualquer. Aí sempre fica parecendo arte pela arte, aquela ideia ainda psicodélica da arte sem nenhum referencial. Uma coisa que me preocupa muito, sobretudo em arte, é a tal da inovação. Para você desconstruir tem que ter um conhecimento profundo de construção. Uma coisa que eu acho importante ressaltar é a carência da história da arte em Pernambuco. Do teatro, da música, da dança, das manifestações populares, das artes plásticas. Deveria haver cadernos publicados pelo estado sobre a história da arte daqui.

Esse pensar a cultura passa antes de tudo pelo conhecimento da história da cultura?
Tem que se deixar claro para esses jovens que o mundo não está sendo inventado agora não, o mundo já começou há muito tempo, você só está pegando o trem numa outra estação. A formação passa pela valorização do conhecimento das manifestações artísticas, através da história, do debate, de palestras, trabalhando essa questão histórica. A formação em cultura é dever do estado. As pessoas não sabem o que é o simbólico na cultura. E é um dos três pilares no Plano Nacional de Cultura. Não sabem por que o estado não explica. Tem uma geração que está vindo agora que parece ter uma negação profunda com identidade cultural. Claro que toda identidade não é fixa.

Em que momento você considera que está agora nesse processo contínuo de construção da nossa identidade? Quais os novos paradigmas que estão sendo cristalizados na nossa sociedade?
A gente está passando por um momento muito interessante, que tem a ver com a questão da identidade, mas passa pelo econômico, pelo desenvolvimento. Não digo que a economia é determinante, mas tem uma contribuição muito forte. Esse boom econômico mexe, mas acho que para melhorar. Eu me lembro da discussão que se fazia muito sobre a axé-music acabar com o frevo, detonar tudo, e eu sempre achei que não, que era muito bom deixar a axé-music tocar até dar uma dor para ver se realmente o frevo tinha musculatura cultural entre a gente. E tinha, provado. O que mais hoje chama a atenção da gente para o elemento identitário é o construir Pernambuco a partir desse novo viés econômico. O que une a gente ainda são os elementos de identidade cultural que estão aí traçados e construídos no século XX. Um dos últimos e mais fortes pode ter certeza que é o cangaço. Por mais que não comentemos entre nós, esses elementos da identidade são muito fortes. Com certeza a gente não vai perder esses elementos que estão constituídos, até porque a política e a economia vivem deles também hoje. O frevo, o maracatu, o caboclinho, o xaxado, o cangaço, o arrumadinho, cana com caldinho, o “oxente”, isso a gente não perde nem tão cedo, não tem perigo. Talvez hoje o Armorial esteja muito mais impregnado na cultura do que o Udigrudi e o Mangue. Eu estou dizendo de uma forma empírica, um estudo talvez permeasse isso, é interessante questionar isso. Nós ainda não partimos para uma valorização da cantoria de viola. A Fundação Palmares fez uma pesquisa, uma escavação na Serra da Barriga, onde ficava o Quilombo dos Palmares, e todas as escavações traziam uma forte evidência indígena. Aí a Fundação, que luta para defender, valorizar e fomentar a influência africana no Brasil precisou parar e deixar de lado porque teria que se reconstruir, reinventar toda a história, o mito. Só que na cabeça do historiador está muito claro que tanto o português quanto o africano eram invasores. Isso aqui é terra de índio, o índio vivia aqui. Mesmo. Como é que africano ia se embrenhar aí por dentro sem saber de nada? Eles só conseguiram fazer isso por causa dos índios. Aí na hora que escava aparece o resultado.

O que você acha que cabe ao poder público, aos artistas e ao povo em geral fazer para a construção de melhores condições culturais?
Não tem o Sistema Único de Saúde? Acho que tem que ter um Sistema Único de Cultura. Não se pensa em cultura como um dos pilares da sociedade, que é inclusive garantido pela Constituição. Cabe ao poder público primeiro entender que não adianta só saúde, aprendizagem, economia e seguridades sociais. Isso é importantíssimo, mas quem és tu? Para te responder é preciso que uses tuas ferramentas culturais. Se o estado fizer valer o Plano Nacional de Cultura e depois o Sistema Nacional de Cultura, aí sim você vai ter uma política pública de cultura. E isso vai ser um passo enorme, sobretudo porque o plano foi aberto à população para debate, isso é que é a grande coisa. Não é uma lei do ministro, do presidente, fulaninho, não. Eu mesmo participei e muito. É preciso que se criem também mestrados e pós-graduações na área de gestão pública de cultura. Porque o cara ser o cão chupando manga em artes plásticas, dramaturgia, comunicação, o que for, não significa que ele seja um bom gestor, não. Eu prefiro falar em cultura de uma forma mais abrangente mesmo, generalizada. Essa é a grande coisa, é pegar uma senhora que vende caldinho em Boa Viagem e perguntar por que as pessoas compram. “Ah, porque as pessoas querem tomar caldinho”. É só por causa disso? Quando o Plano Nacional de Cultura valer o cidadão que está ali vendendo caldinho vai saber que não está vendendo apenas um caldinho, mas um fragmento do patrimônio imaterial, ele está vendendo um saber entronizado no paladar da gente. Cabe às pessoas entender que isso é tão importante quanto o viaduto da esquina. Esse paradigma começou a mudar do governo Lula para cá, foi quando nós começamos a perceber que éramos importantes, porque tínhamos uma formação cultural estupenda, maravilhosa, rica, complexa e dinâmica, de fazer inveja ao mundo. E o mundo ainda não percebeu. Mas antes é preciso que nós nos apercebamos. Se a gente não se reconhece enquanto sujeitos detentores de todo esse poder, a gente não afasta o preconceito, vai continuar com aquela visão eurocêntrica, americanizada, em que só presta o que é de fora. E cabe à população se aperceber como detentora de todo esse patrimônio.

Coque/Ilha Joana Bezerra

Texto: Felipe Mendes
Fotos: Joás Benedito

São muitas as facetas do Recife. Diferentes realidades econômicas, culturais e artísticas convivem no território da capital pernambucana, construindo uma trama invisível que caracteriza o modo como nos vemos e vemos nossa cidade. Perto de algo tão sutil, a divisão territorial literal dos bairros ganha contornos mais ricos, adapta-se à sensação dos moradores e à vivência cotidiana do Recife.

O bairro que iremos conhecer nesta edição da série Meu Bairro... Moro Aqui, desta Agenda Cultural do Recife, abriga em seu território um aglomerado habitacional tão forte que possui identidade própria. Incrustado no bairro de Joana Bezerra, o Coque já se inseriu há muito na identidade da cidade, infelizmente de forma negativa, devido às condições de pobreza e à explosão da violência ocorrida nas décadas passadas. Paradoxalmente, sua localização é privilegiada, fica perto do centro e permite a locomoção para toda a cidade, principalmente por conta da presença da estação de metrô e integração de transporte público no bairro.

O Joana Bezerra abriga, além do Terminal de Integração, o Fórum Rodolfo Aureliano, comumente de chamado de Fórum Joana Bezerra. O complexo reúne diversas varas cíveis, criminais, de família e outras, além de entidades como a Associação dos Magistrados de Pernambuco (Amepe). Ao lado, fica a  Associação de Assistência à Criança Deficiente  (AACD), mais importante instituição brasileira de suporte a pessoas com deficiência.

O responsável por nos mostrar o lugar onde nasceu e se criou é o artista plástico Tito Lopes. Ele também ministra cursos e oficinas e é educador do Programa Multicultural do Recife, que atua em toda a cidade oferecendo cursos livres na área de cultura. Hoje o artista, que produz quadros, roupas e artesanato, se divide entre seu ateliê – que fica no Pátio de São Pedro – e o Coque/Joana Bezerra.

Uma das localidades mais associadas à violência em toda a Região Metropolitana, o Coque tem conseguido mudanças significativas na vida de seus habitantes, graças a uma maior presença do estado e ao esforço de seus moradores. Aos poucos, vai se desfazendo a imagem negativa do local, em parte por conta de iniciativas culturais como a Orquestra Cidadã Meninos do Coque, que trouxe vida e oportunidades para dezenas de crianças daqui. “Hoje a violência diminuiu muito no Coque”, avisa Tito. Enquanto ela diminui, aumenta a autoestima dos moradores.

Nossa primeira parada é no Esporte Clube Mocidade, que abriga e promove diversas atividades. “O Mocidade é um dos únicos lugares vivos de cultura do Coque. É o único lazer que a comunidade tem”, afirma nosso guia Tito Lopes. Encontramos Risadária Ribeiro da Silva, conhecida como Daurinha, que nos informa o ano de fundação do clube, 1964, e avisa que é exatamente neste mês de maio que se comemora o aniversário do Mocidade com a realização de várias atividades.

O envolvimento de Daurinha com o clube começou cerca de dez anos atrás e se deu por conta de seu marido, Edmar do Nascimento Tavares, sócio há muito mais tempo. Ela também vende alimentos nas festas e shows realizados aqui, conseguindo uma renda. Em sábados alternados acontecem apresentações musicais de bandas diversas e aos domingos a dança toma conta com a gafieira do clube, sempre movimentada. O Mocidade é um time de futebol e o clube abriga ainda cursos e oficinas diversas.

Encontramos também Lindinaldo Tomé, o Nado, morador do bairro há 33 anos. Ele fala sobre o projeto Galo: Cultura e Cidadania, do qual participam 120 crianças de comunidades próximas à sede do Galo da Madrugada, especialmente do Coque. Os alunos de 10 a 16 anos frequentam oficinas de música e confecção de fantasias e adereços carnavalescos e recebem fardamento, material didático e lanche.

Nado e Tito chamam a atenção para as melhorias vivenciadas pelo Coque nos últimos anos, como o calçamento de várias ruas. Eles contabilizam hoje três postos de saúde e seis escolas, avanços significativos para uma comunidade que sempre careceu de melhores condições de vida.

Nosso guia nos leva à sede do Caboclinho Tribojé e da agremiação carnavalesca Urso Preto da Pitangueira. Na casa, encontramos Eunice Maria da Silva, que mora no bairro há 55 anos: “Quando cheguei aqui, as casas eram de palha e a gente chamava o Coco de Nezinho para bater os aterros e fazer os pisos das casas”, recorda-se Dona Nicinha, como é conhecida. De idade avançada e com problemas de saúde, ela transmitiu para sua filha, Maria de Fátima da Silva, a responsabilidade de manter viva essa tradição iniciada há décadas.

Seguimos nosso caminho até encontrar Valdemir Amaro Pereira da Silva, o “Charque”, que nasceu e mora até hoje no bairro. Ele nos fala do Grupão, entidade que agrega várias outras, sempre em prol da comunidade. Em sua sede, sempre foram realizadas várias atividades, tais como cursos profissionalizantes e atendimento médico. Hoje funciona uma pré-escola no local, atendendo a crianças da comunidade. Ele lembra também que Luciano Siqueira, ex-vice-prefeito e atual vereador do Recife, atuou como médico aqui.

Seguindo nosso caminho, passamos pela sede do Bloco Cintura de Ovo e chegamos à casa de Maciel Agripino dos Santos. Logo encontramos estandartes do Maracatu Estrela Dalva, presidido por ele e fundado em 1990, pendurados na parede. Maciel nos diz que são cerca de 150 integrantes no maracatu, a maioria da própria comunidade. Os ensaios acontecem na Av. Central, das mais importantes do bairro. Maciel fala, com orgulho, que o Estrela Dalva foi vice-campeão em sua categoria no carnaval 2011. Ele também é Babalorixá da Casa de Candomblé Ylê da Oxum.

Caminhando por entre becos e travessas, vamos conhecendo um pouco mais da vida dos moradores daqui e somos levados por Tito Lopes ao Afoxé Filhos da Balé, mantido por Severino José dos Santos, o Pai Jurema. Encontramos o Egbamy Thayla de Oxumaré, que nos conta que o afoxé foi criado em 1993. O grupo cultural é resultado da ação do Ylê Axé Oyá Orum Balé, que existe desde 1982 e do qual Jurema é Babalorixá. Ele também é artista, e encontramos bonitas obras nas paredes da casa. “Toda apresentação do afoxé tem sua renda revertida para a comunidade”, avisa Thayla, completando: “estamos nos preparando para fazer um maracatu”.

Tito, que é cumprimentado por inúmeras pessoas durante toda a nossa caminhada, saúda a possibilidade do surgimento de mais um grupo cultural em seu bairro, contribuindo assim para o constante crescimento artístico e cultural dos seus moradores. Ele lamenta, no entanto, que as quadrilhas juninas estejam perdendo sua força e deixando de existir aqui no Coque. “Sempre fui um dos defensores da cultura”, avisa nosso guia.

Nosso passeio termina na Academia da Cidade construída pela Prefeitura do Recife há poucos anos. A presença de tal equipamento significa uma nova postura do poder público em relação à área e tem um impacto positivo na vida das pessoas. Com o sol avisando sua partida e ficando cada vez mais suave, já encontramos pessoas jogando bola, caminhando e se exercitando na estrutura, que conta com campo de futebol e quadra poliesportiva, bancos e mesas, brinquedos e equipamentos de ginástica. Toda a movimentação que encontramos por todos os cantos por onde andamos e os artistas obstinados e moradores cuidadosos que encontramos inspiram Tito Lopes, que resume: “aqui é um caldeirão”.

Por vezes, deixamos que preconceitos e verdades prontas nos ceguem para a inestimável riqueza cultural da qual nosso povo é portador, a despeito da vida dura enfrentada por quem lida diariamente com as dificuldades e privações da falta de estrutura e condições econômicas impostas. Abra bem os olhos e enxergue sua cidade com a lente da sensibilidade de um cidadão que ama o Recife.