sexta-feira, 29 de abril de 2011

Sociedade Oculta

Estação do Reggae
9693 0693 / 8652 9030
30 21h
R$ 5
Show de lançamento do EP Além do Silêncio. A participação especial fica por conta da banda Pluggins.

Spock e Orquestra

Centro Cultural Correios
3224 5739
30 09h às 18h
Retratos do Nordeste mergulha desde o frevo, música vibrante de arranjos elaborados e raízes firmes, que leva a tradição para o palco, mas não abre mão da liberdade, até o legado jazzístico. A Orquestra Retratos do Nordeste que acompanha o Maestro Spock, tem como proposta ser o foco permanente de irradiação de conhecimentos que permitam mais fácil o ensinamento e mais fecundo o aprendizado de tudo o que possa estar ligado à música nordestina popular erudita.

APR CLUB


29 (Sexta-feira)
Wander Wildner (RS) e Caravana do Delírio (PE)
Ave Sangria (PE) e Anjo Gabriel (PE)

30 (Sábado)
Matanza (RJ)
Diablo Motor (PE)

Rua do Apolo, 143 - Recife Antigo
R$ 15 (meia entrada) / R$ 20 (ingresso social + 1kg de alimento) / R$ 30 (inteira)
Ingressos para o APR Club estão à venda apenas no Delta Expresso do Recife Antigo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Projeto Seis e Meia

Luiz Melodia em dose dupla no Projeto Seis e Meia. O cantor e compositor se apresenta no Teatro de Santa Isabel, nesta quinta (28) e sexta-feira (29). A abertura fica por conta de Allexa e Karynna Spinelli.



R$ 30 e R$15 (meia)
Horário: 18h30
Local: Teatro de Santa Isabel / Praça da República, s/n, Santo Antônio, Recife
Fone: 3207 6161

Jazz na Praça

Tony Gordon e Street Jazz Band
Local: Praça do Arsenal
Dia/Hora: Sexta, 29 de Abril / 18h
Endereço: Praça do Arsenal, Bairro do Recife
Entrada: Grátis

terça-feira, 26 de abril de 2011

POR TRÁS DAS CORTINAS




Cláudio Lira

Nascido em Petrolina, no sertão de Pernambuco, Cláudio Lira veio jovem ao Recife estudar, graduando-se em Programação Visual na Universidade Federal de Pernambuco. Na capital, se encontrou com uma paixão: o teatro, e foi aproximando-se primeiro como ator, depois como assistente de direção até se tornar diretor. Hoje Cláudio acumula 16 anos de vivência cênica e durante esse tempo continuou aprimorando sua expressão gráfica.

domingo, 17 de abril de 2011

HIP HOP em ação

Shows com: Mc Pooblay, Na mente, L.O e os comparsas e Relato consciente.
O evento também conta com as participações dos DJ´s: Zero, Estranho, Mas e Leto.
DIA: 27 de abril
LOCAL: Clube Municipal de Paratibe - Paulista
A partir das 15h

Zé de Cazuza com Poetas Encantadores e Vates e Violas com seu primeiro DVD ao vivo

Dia 18 de abril, às 19h
Local: Livraria Cultura

sexta-feira, 15 de abril de 2011

DJ DOLORES


Fotos Raquel Freitas / divulgação

DJ DOLORES

Nascido em Propriá, Sergipe, Hélder Aragão veio aos 18 anos para o Recife “descobrir o que queria fazer na vida” e ambientou-se, fazendo parte de toda a ebulição musical e artística do Manguebit na década de 1990, e construindo em seguida uma respeitada carreira como Dj Dolores. Em conversa com Felipe Mendes, o músico fala sobre a transformação de designer gráfico a Dj respeitado internacionalmente, a gestação do Mangue, a construção de sua sonoridade peculiar, além de debater políticas públicas e o impacto das novas tecnologias na indústria fonográfica.

Você já chegou a tocar algum instrumento musical mais “tradicional”?
Eu tocava bateria em uma banda punk quando eu era adolescente, isso em Sergipe ainda. Nessa época eu comecei a ouvir música eletrônica, não a de pista, mas a música eletrônica erudita: (Edgard) Varèse, John Cage, entre outros. Eu pirei com as possibilidades dos caras tirando timbres, trabalhando com loops e me desinteressei completamente por instrumento tocado. Comecei a fazer loop com fita cassete, que é o que eu tinha em mão. Botava às vezes três, quatro gravadores fazendo loops ao mesmo tempo, isso na segunda metade da década de 1980. Quando eu cheguei ao Recife, meu primeiro emprego foi desenhando cartum para o Jornal do Commércio e outros jornais e, por causa dessa coisa de desenhar, fui parar na TV Viva, pra fazer desenho de animação. Lá eles tinham um computador chamado Amiga que, muito antes dos PCs, já trabalhava com áudio e vídeo. Eu já tava começando a fazer programação de batidas e me lembro que Chico (Science) sempre aparecia por lá porque também era fascinado por essas coisas. Ele vinha do Hip Hop, em que basicamente tudo é batida eletrônica. A gente passava tardes mexendo no Amiga.

Essa experiência o levou às trilhas sonoras para TV, filmes e teatro. Como você se aprofundou nesse trabalho?
A culpa é de Kléber Mendonça (Filho). Eu comprei um 286 (um dos primeiros computadores pessoais comercializados) para fazer gráfico, mas tinha uns programinhas bem simples de música e eu comecei a pirar. Ele estava fazendo Enjaulado, seu primeiro filme, e disse: ”essa música vai caber direitinho no filme, compõe mais material que eu quero usar”. Então a trilha sonora original do Enjaulado eu fiz a maior parte, Stela Campos fez outra e o resto Kléber saiu pegando das fitas demo da galera que estava começando na época. O Enjaulado foi o marco inicial pra um monte de gente, ninguém tinha registro em CD. Tem lá a primeira gravação de Otto, do Eddie, de Faces do Subúrbio, minha, de Stela. E acho curioso como é a cara do Recife não conseguir se enxergar, porque no dia do lançamento do disco, que era documento fundamental de uma cena recifense independente, a gente só conseguiu uma notinha pequena no Diario de Pernambuco, porque a capa era sobre a visita de uma ex-spice girl ao Rio de Janeiro (risos).

O nome Dolores surge nesse momento?
Não levava música tão a sério e pensei em inventar um nome pra não atrapalhar minhas outras coisas. Aí inventei esse nome patético que vai me acompanhar até a morte, provavelmente. Tem várias histórias, algumas são mentiras, outras ficção...(risos) A gente pode pular essa parte. Tem várias explicações, todas mentira.

Pode contar uma mentira então...
Dolores era o nome de uma tia do Hilton Lacerda, que hoje em dia faz roteiro pra cinema. A gente tinha um escritório de design e essa tia dele era bem rabugenta (risos). Aí eu achei de botar Dolores.

Como era, no início do Mangue, pra você? Existia apenas uma vontade de fazer ou já havia uma visão mais ampla do que aquela movimentação poderia causar?
O Manguebit era uma coisa de turma, essencialmente. Porque o Recife era muito árido, a única coisa que você tinha pra fazer era assistir filme cabeça na Casa da Cultura. Não tinha bar, não tinha nada. Então a gente começou a fazer festas pra se divertir, a primeira foi em 1989. Eu gosto sempre de apresentar o ponto de vista de que o Manguebit não nasceu como uma cena de músicos, mas de Djs, porque todo mundo era Dj e a gente se revezava. Renato L., Chico Science, H.D. Mabuse, até Fred 04 já foi Dj. Essas festas foram o ponto de encontro de um monte de gente, muitas bandas se formaram nelas. Eram festas bem inspiradoras no antigo Adília’s Place, que era um bordel belíssimo com um baita salão de dança com o chão todo de madeira, sofás de couro vermelho, candelabros, balcão de madeira, era incrível. A gente alugava bem barato e era uma coisa tão diferente que, na primeira festa que a gente fez, Dona Adília ficou desconfiada com aquela molecada naquele lugar marginal e a gente teve que pagar mais caro, porque ela fechou os quartinhos que alugava pras meninas fazerem programa. Então essa primeira festa, marco do Manguebit, chamava Sexta Sem Sexo, porque nessa noite nenhuma das meninas trabalhou lá no Adília’s (risos).

O que se inicia, como você disse, como uma turma querendo se divertir, adquire conceituação, nome, uma “filosofia”. Quando isso tudo tomou corpo?
Quando Fred resolveu reativar a banda Mundo Livre S/A, que estava parada e quando Chico começou a fazer música. Tinha dois lados na turma: um que vinha dessa coisa da black music, que Chico e Jorge du Peixe eram representantes mais fortes, e o lado roqueiro e mais experimental que era eu, Fred, Renato... Do nosso lado a gente era muito fã do punk. Aí se começou a inventar coisas, e Chico era muito bom nisso, o nome Mangue foi ele que inventou, essa metáfora foi dele. As coisas mais forçadas, como o vocabulário mangue, nunca decolaram. O que decolou realmente era o que a gente já sabia fazer. Fred escrevia muito bem e escreveu o manifesto, Chico tinha esse dom de causar uma empatia muito forte e apareceu com essa referência aos chips, à coisa eletrônica, misturando coisas de b-boy com coisas da cidade, maracatus, etc. Esse conceito Mangue era bem coletivo e discutido exaustivamente até se aprimorar e chegar a uma coisa mais fina. Acho que a principal coisa transformadora é que a gente teve a sorte de ter um ícone muito forte, que é Chico Science. Você pode ter um monte de gente super talentosa, mas essa figura do ícone, que é um cara carismático que serve de exemplo, é fundamental. Todo moleque, de classe média ou de periferia, queria ser Chico Science. Isso fez muita coisa acontecer.

Você costuma manter bandas, com músicos tocando instrumentos elétricos e acústicos e cantando. Como é o seu laboratório, a construção do seu som?
Eu não sei responder a essa pergunta (risos). Basicamente a ideia é que eu não toco instrumento, então manipulo sons que músicos gravam pra mim. Ao invés de usar só samplers de outras músicas, eu sampleio o que a gente grava no estúdio. Às vezes eu vou com um tema pronto, às vezes fazemos uma jam e depois saio cortando, montando. Dá pra alterar o tom, o andamento, dá pra reconstruir completamente a música de modo que o músico nem tem controle sobre aquilo e nem pensou em fazer aquilo dali. É uma possibilidade que as máquinas te permitem. Não quero cair na armadilha de dizer que sou maior do que um músico ou criar uma oposição entre músico e produtor, não é isso. São métodos de trabalho diferentes, eu uso e retoco o trabalho de outra pessoa, esse é o espírito.

E quando surgiu a sacada de não apenas utilizar samplers, mas de botar uma banda pra tocar?
A primeira banda, juro, eu montei porque morria de medo do palco e precisava ter um monte de gente na minha frente e ficar escondidinho lá atrás. Essa foi a razão mais verdadeira que eu posso dizer. E ao vivo é banda e todo mundo está em pé de igualdade.


Sua carreira deu muito certo lá fora, e hoje você tem até mais espaço em outros países do que no Brasil. Como foi o caminho pro exterior?
Eu tinha um desejo muito pessoal de viajar e conhecer o mundo que eu tanto imaginava, e sabia que ser pago em Euro era muito mais legal do que ser pago em Real (risos), ainda mais naquela época, então comecei a direcionar mesmo. A primeira vez que eu saí do país, em 2001, fui ao Texas e depois a Paris. No segundo ano eu já consegui voltar com a banda. Aí (o produtor) Paulo André percebeu que eu estava ganhando alguma repercussão e se envolveu. Em 2003 ele organizou uma turnê em que a gente fez 35, 36 datas em dois meses, foi a maior turnê de artista brasileiro naquele ano em solo europeu. Aí o negócio vai crescendo naturalmente. Mas agora, em uma visão bem prática e profissional, já não tenho tanto interesse no exterior, a não ser pra garantir uma certa respeitabilidade. A Europa está vivendo uma crise econômica de fato, não é brincadeira. O grande mercado atualmente é o Brasil. Eu lamento realmente durante tantos anos ter me descuidado do Brasil, porque podia estar com a carreira muito mais forte aqui se tivesse investido mais.

Quais são os caminhos para o futuro da música?
O futuro é o download free. Isso tem que ser repensado de um modo legal muito rápido, porque você não pode criminalizar um moleque que baixa música, isso é um absurdo. Se esse problema existe, é para um modelo antigo de mercado. Precisamos repensar esse modelo com urgência porque ele é antigo e falido. No Pará, os caras criaram um modelo de cadeia produtiva super interessante, em que o Dj ganha fazendo show. É um modelo que funciona super bem, movimenta muita grana, muita gente vive disso e ninguém está roubando ninguém. Quando você vê essas propagandas antipirataria, elas são de uma mentira atroz. Meu amigo Ronaldo Lemos, da Fundação Getúlio Vargas, o cara que trouxe o Creative Commons (www.creativecommons.org.br) pro Brasil, foi saber de uma pesquisa apontada pela indústria fonográfica que teria sido feita na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) sobre suas perdas com a pirataria. Ele foi lá e não existe essa pesquisa, não existe nenhum estudo sério, formal, acadêmico sobre o impacto da pirataria no Brasil.

E agora a gente tem essa proposta de uma revisão nas leis de direito autoral. Ninguém quer tirar o direito autoral do artista, a gente quer tirar o poder do ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), porque a lei dá direito ao ECAD pra controlar o que é seu. Eu já produzi festas em que eu tive que pagar pra executar minha própria música. Como eu, fazendo uma festa independente, pequena, tenho que pagar pra executar as minhas músicas? Eles têm tanto medo do Creative Commons ou outro modelo de licenciamento, seja lá qual for, porque a gente que dialoga com essas novas tecnologias pode ter o controle da nossa faixa. A gente pode liberá-la pra tocar, remixar, fazer uma versão, gravar, e aí é uma coisa de “acerta direto comigo”, não precisa passar pelo ECAD. Por email se resolve isso. Interessa que as pessoas toquem minha música, façam versões, que a molecada faça remixes, isso enriquece o meu trabalho. Hoje você legaliza sua obra em minutos, sem gastar um centavo, na frente do computador, sem ECAD, que tem um sistema completamente fora do contexto atual, porque é por amostragem. Comprovadamente não funciona e é totalmente incoerente porque a gente tem computador, informática. Tocou na rádio uma faixa, bota no sistema que o cara vai receber um Real que seja. É assim que funciona na Europa, eu recebo uma grana razoável de direito autoral toda do exterior porque lá, tocou uma vez, tá registrado no sistema.

O que o poder público pode fazer para atuar de forma eficaz no desenvolvimento da cadeia produtiva da música?
É preciso pensar política pública no sentido de mover a cadeia produtiva. Em vez de dar tanto show de graça, dar tanto dinheiro pras pessoas fazerem discos que às vezes não acontecem, porque não criar gatilhos que façam as pessoas se envolverem na indústria de fato? Linhas de crédito fáceis são mais interessantes. Você, sabendo que seu disco não vai vender tanto, vai gastar pouquinho pra fazer, mas vai ter um crédito fácil. Isso é muito mais estimulante e maduro. Subsidiar pequenos clubes para que eles possam fazer shows com qualidade, com som bacana, pagando os músicos direitinho é muito mais poderoso. Essas ações têm um efeito de longo prazo e profissionalizam, sustentam muita gente. Quem faz essa música de caráter mais popular como o brega é muito mais esperto nesse sentido, os caras sobrevivem independentemente de auxílio do estado ou da opinião da imprensa. É importante mirar essa sustentabilidade, pra usar uma palavra da moda. Obviamente existe gente brilhante que não sobreviveria sem um subsídio oficial, e esse discernimento cabe ao estado, é papel dele criar uma situação que interesse à maioria da população.

O que já há de concreto para esse ano de 2011 e quais os projetos do Dj Dolores?
A coisa mais certa é que a gente deve fazer um disco novo com a Orquestra Santa Massa. Fazer também um disco de remix, pra promover essa coisa de Dj. Comecei fazendo o de Catarina (dee Jah), da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, é uma coisa que impressionantemente ainda falta aqui no Recife, tem muito pouca gente fazendo eletrônica ou usando essas ferramentas. Ainda não houve essa ruptura de entender o Dj ou o produtor como um artista, alguém criativo. O Recife é ingrato com essa cultura do Dj. A máquina me dá a mobilidade de um músico, tem possibilidade improvisar, sair costurando a música. Eu sinto bastante falta disso aqui no Recife.

Produção do LookBook 2 Primas


Bastou a temperatura baixar um pouco que as novas coleções começaram lotar às araras. Na última quinta-feira, a Agenda Cultural teve o prazer de ir conferir a produção do LookBook da 2 Primas.  A marca das sócias Patrícia Brito e Mayara Pimentel, propaga o Lohas (Estilos de Vida de Saúde e Sustentabilidade), adotando parâmetros de produção de baixo impacto ambiental e de responsabilidade social.

Os looks dessa nova temporada inspirados no sertão nordestino têm como musa inspiradora a Maria Bonita: A Rainha do Cangaço!
Styling: Nestor Mádenes
Fotógrafo: Ronald Luv
Modelo: Nayara Berenguer
Beleza: Téo Miranda

Teatro!


O Canto de Gregório
Teatro Hermilo Borba Filho
Sex e Sáb
20h | Dom 19h
R$ 16 e R$ 8
Perdido nos labirintos da lógica formal, Gregório se bate inutilmente em busca do conhecimento de si mesmo, inquieto com o sentido de suas próprias ações. Um poço de incertezas, um cidadão acometido pela paixão da razão, incapaz de aceitar os limites humanos e se conformar com eles. Direção de Pedro Vilela, texto de Paulo Santoro  e realização do Grupo Magiluth
Odemar
Casa da Cultura - Hall Central
Sex e sáb
20h

R$ 10
O espetáculo, premiado no 17º Janeiro de Grandes Espetáculos, encena sobre o poema do poeta português Fernando Pessoa, Ode Marítima. Na peça, um indivíduo à beira de um cais mistura tempo e espaço tendo o mar e seus elementos como metáforas de temas como amor, loucura, solidão e saudade. Direção, atuação e cenografia: Sebastião Simão Filho
Voragem
Teatro Marco Camarotti
Sáb 19h
R$ 10 e R$ 5
A peça apresentada pelo grupo de Teatro Magrykory e inspirada na história de Betsabá, Urias e o Rei Davi. A trama é uma metáfora cheia de questionamentos, sonhos e indecisões dos personagens.  A peça conta com a direção de Quiercles Santana.

Delicado 
Teatro Joaquim Cardozo – UFPE
Sab e Dom 20h
R$ 20 e R$ 10
A obra expõe confissões de Eusébio. O personagem que é filho de Macário e Dona Flávia (mãe de sete filhas). Eusébio simboliza a natureza pura do ser humano e as conseqüências dramáticas do seu destino influenciado pela repressão, pelo machismo exacerbado e pelo preconceito de toda uma sociedade. A peça ainda fala das convenções tecidas pela moral, coloca em questão a natureza do nosso espírito perguntando: nascemos puros e bons?


Historias da Vida da Gente
Teatro Apolo
Sab e Dom
20h
R$ 10 e R$ 20
A comédia feita em dois atos, apresenta no primeiro ato "A Incelênça" texto de Luiz Marinho, que retrata a vida comum de uma família de Timbaúba - cidade da zona rural do interior pernambucano.   A trama tem início com a morte repentina do Sr. Quirino, que deixa Dona Sindá viúva e seus três filhos órfãos.  A ação se dá na noite do velório do referido senhor e aos poucos vão se desvendando todas as nuanças da vida de Quirino, inclusive o "caso" que mantinha com a comadre da família (Rosemira).  Já o segundo ato apresenta o texto "A Caseira e a Catarina" de Ariano Suassuna. A ação acontece no cartório da cidade, onde o juiz, míope e cheio de doenças, é surpreendido com um caixão, um porco e uma ameaça de navalhada em meio a documentos de desquite, apropriações indébitas e muita confusão.
TV Barulho em 3-GSáb e dom 18h30R$ 15Sátira aos programas de televisão, onde a Trupe inaugura sua TV em 3-G, com quadros de humor, músicas e games interativos com a participação do público.

Chapeuzinho vermelho... Essa história sua vó não contou!!!
Sáb 21h e dom 20h
R$ 15
Karla Patrícia é uma estudante de direito que mora na cidade de Garapú - Cabo. A mando de sua mãe, Chapéu leva doce, frutas e remédios para sua vó, em Camaragibe. Viciada em Internet Karla Patrícia é seguida por Pimentel Lobo até Camaragibe. No meio do caminho, mil coisas estranhas acontecem.  Texto de Antonio Nogueira,direção de Manoel Constantino. No elenco: Flávio Luiz, Mário Miranda, Eduardo Japiassú, Aurino Xavier, Jô Ribeiro e Rafael Almeida.

Branca de neve, depois do felizes para sempre!!!
Teatro Alfredo de Oliveira
Dom 18h30
O espetáculo tem produção e realização da Rezove Produções e Cia.,com texto de Dayvd Faschion e direção de Evandro Muniz.
Uma Branca de Neve aparece como uma garota bem diferente do conto original. A pergunta que não quer calar: o que aconteceu com Branca de Neve, e suas amigas, após o final felizes para sempre? Muitas brigas, discussões, fofocas e mentiras vêm à tona na vida da protagonista e seu marido príncipe Eduard, um sujeito muito suspeito.

Concurso de Passistas do Carnaval

Inscrições até hoje(15 de Abril)
3355-3152 / 3355-3153
A Fundação de Cultura da Cidade do Recife através do Centro de Formação de Artes Visuais (CFAV) está selecionando candidatos para bolsas de incentivos à Formação/Oficinas. As inscrições devem ser encaminhadas ao CFAV aos cuidados da gerência.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

E fez-se a Música

Cineclube - Sesc Casa Amarela
Gratuito
14 (HOJE) 19h
Três filmes sobre criatividade musical em Minas Gerais, em Pernambuco e na Bahia, que reúnem o erudito e o popular, como demonstração da riqueza cultural da miscigenação brasileira.

Janelas Abertas n˚3

Galeria Amparo 60
Até 30 Ter a Sex 10h às 13h e das 14h às 19h Sáb 10h às 14h
Conjunto de obras de Hidelbrando de Castro e Delson Uchôa, sob curadoria de Marcelo Campos. A primeira exposição que une os pintores, celebra cerca de 20 anos de amizade entre os dois, e, segundo o curador, se torna possível a percepção nas duas produções. Segundo Marcelo, ambos têm a influência tanto pelo Brasil bossa-novista dos anos 1950, de herança geométrico-construtiva, quanto pela nacionalidade tropicalista, com a sua vasta utilização de cores. A inspiração para o título da mostra veio justamente dessas relações, fazendo referência à canção da Bossa Nova, Janelas abertas, e outra tropicalista, intitulada Janelas abertas n˚2

Emergência

8879 4105 / 8861 5818 / www.myspace.com/bandaemergencia
Com influências de bandas grunge, passando pelas mais contemporâneas e alcançando até o metal. As composições em português retratam a realidade com uma visão crítica e por vezes filosóficas, sempre oscilando entre o otimismo e o pessimismo nas 12 faixas do CD. O diferente gosto musical dos integrantes dá a banda uma identidade peculiar, resultante de uma fusão entre peso e melodia.

Mestre Galo Preto: 65 lutando pelo coco

Este ano, um dos grandes ícones da cultura popular de Pernambuco completou 65 anos de luta e resistência a favor do coco. Tomás Aquino Leão Cavalcanti, de 76 anos, conhecido por Mestre Galo Preto, é bem mais do que um exemplo de vida. Ele que é músico, coquista, cantador, repentista e embolador tem uma trajetória cheia de altos e baixos. Nascido no quilombo de Santa Isabel localizado no município de Bom Conselho, ele é o último remanescente vivo, que cultua a tradição do coco de seus antepassados. Na década de 70, esse artista popular de voz inconfundível, levou o coco pernambucano ao mais alto nível, que o fez receber o título de um dos maiores / ou maior repentista do Nordeste.  O Mestre Galo ficou conhecido pela criatividade de criar jingles políticos. Entre os políticos para quem ele trabalhou está o Miguel Arraes. Galo, também é sinônimo de luta social, com as melodias que falam sobre preconceito contra cor e a homofobia, alertas sobre o HIV, direitos dos idosos, entre outros.  O pesquisador de línguas africanas e produtor cultural Alexandre L’Omi L’Odò classifica o Mestre Galo como um jazz man, pois, assim como o jazz é um estilo livre em que o artista pode improvisar, o mestre galo consegue fazer a mesma coisa. Ele desenvolve e execulta ritmicamente qualquer estilo de música e toca ao lado de qualquer artista.  Mesmo com todo esse sucesso e competência, o artista acabou caindo no esquecimento do publico, passando 15 anos, afastado da música. Em 2007, ele deu início a sua luta contra o esquecimento popular, que culminou na elaboração de um filme que será lançado em breve. Em reconhecimento a esse grande artista injustiçadamente esquecido, a repórter Erika Fraga da Agenda Cultural do Recife conversou com Mestre Galo Preto, que falou um pouco sobre o início da sua carreira, o legado de seguir com o coco e os planos futuros.    

Quando você começou a cantar coco e embolada?
Eu comecei a cantar aos nove anos de idade. A região onde eu morava era muito envolvida com a música, e isso me influenciou. Também fui influenciado pela minha família, pois os meus tios e os meus avôs gostavam muito de uma roda de coco e de embolada, então a música sempre esteve em meu sangue. E aos 12 anos de idade comecei a ganhar um trocado com a música.

E quando a música tornou-se profissão em sua vida?
Foi quando sai do quilombo de Santa Isabel, localizado em Bom Conselho de Papa Caças e vim morar em Garanhuns.  Na época eu fazia dupla com o meu irmão Curió e lá comecei a ter reconhecimento do meu trabalho. Com o tempo a dupla acabou mas as minhas cantorias continuaram fazendo sucesso e eu passei a me apresentar em casa de família, depois em boates, televisão e rádio. Nessa época existia apenas a rádio clube de Pernambuco. É bom lembrar que nunca fui cantador de rua, daqueles que passa o pandeiro cobrando dinheiro. Eu até admiro quem faz isso.

E porque essa dupla acabou? 
Porque na época eu fui convidado para fazer uma turnê com os artistas da Rádio Clube. Viajei muito cantando e isso fez com que a dupla acabasse.
  No início da sua carreia, você teve apoio do escritor Ascenso Ferreira. Como foi esse contato?
O Ascenso Ferreira foi um dos meus primeiros incentivadores, é até uma história engraçada de lembrar.
Quando sai de Bom Conselho e vim morar no Recife,fiquei na casa do meu irmão, nessa época, não existiam grandes mercados e bodegas, então as pessoas tinham que vender as mercadorias nas ruas. E para ajudar com as despesas de casa, o meu irmão me colocou para vender verduras nas ruas, e a melhor forma que eu encontrei para vender foi criar rimas. Só assim eu chamava a atenção dos meus clientes.  E todos os dias eu passava na frente da casa do Ascenso vendendo minhas batatas, e ele sempre me via cantar. Até que um dia ele me chamou e perguntou se eu também fazia rimas com outros assuntos. Ele me testou rapidamente mandando fazer uns versos improvisados. Quando terminei, ele disse que a minha cabeça não servia para carregar batatas, que eu tinha uma cabeça de mestre. Ele falou com o meu irmão me deu um cartão da Rádio Clube onde eu comecei a me apresentar.

Como surgiu o nome Mestre Galo Preto?
O nome Mestre eu peguei há pouco tempo, foi em 2007 quando voltei a cantar. Mas o nome Galo Preto é antigo. Esse nome eu não ganhei nas cantorias, ganhei “arengando” quando eu era pequeno. Lembro que certo dia eu estava brigando com o meu irmão chamado Curió, mesmo ele sendo cinco anos mais velho que eu, parti para cima dele com tudo. Nisso, um senhor veio separar a briga e quando ele me segurou, olhou para mim e disse: Tu estás que só um galinho preto de briga não é? Desse dia em diante todas as pessoas passaram a me chamar de Galo Preto.

Nos anos 70 você foi considerado um dos maiores repentistas do Nordeste. Chegando a se apresentar ao lado de grandes ícones da música como Luiz Gonzaga, Lourival Batista e Jackson do Pandeiro, mas de uma hora para outra você sumiu do cenário musical e passou 15 anos distante dos palcos. O que causou o seu afastamento?     Nessa época eu realmente fiz muito sucesso. Cheguei a me apresentar em programas de rádio e TV. Fui para o programa do Chacrinha, Flávio Cavalcanti e Silvio Santos. Mas em 1991 tive uma grande rasteira profissionalmente falando. Fui envolvido em um escândalo que jamais eu pertencia e isso me tirou a vontade de continuar cantando. Mas há quatro anos voltei a cantar.

E como foi esse recomeço?
Foi em 2007, quando a Secretaria de Saúde de Olinda, na época representada por  Dr. João Veiga, me fez um convite para fazer a música de uma campanha sobre as Aids e a violência, então reuni vários cantadores e repentistas e formei o grupo Mestre Galo e Preto e o Tronco da Jurema.

Como você se sente sabendo que é o último remanescente do quilombo de Santa Isabel a preservar e passar e a continuar ensinado a tradição do coco?
Eu me sinto muito feliz e honrado, pois estou deixando uma história e uma raiz para os jovens que desejam continuar com os costumes de antigamente. Mas é bom lembrar que eu sou o último daquela região, pois ainda existem muitas pessoas da minha época que têm o coco no coração e continuam carregando e ensinando esse legado.

Você tem 65 anos dedicados ao coco, porque nunca gravou um CD?
Na minha época era tudo muito difícil. Nunca tive uma oportunidade para isso. Mas o meu produtor Alexandre L’Omi L’Odò está elaborando um edital, e acredito que ainda esse ano gravarei o meu primeiro CD.

Esse mês será lançado o filme “Galo Preto, o Menestrel do Coco”, que conta um pouco da sua história. Como foi o processo de realização do filme?
O filme é uma média metragem, mas ainda não tem uma data certa para o lançamento. Creio que ainda esse mês, a data será decidida. Ele tem roteiro e direção de Wilson Freire e aborda toda a minha trajetória na música especialmente no coco. No ano passado exibimos uma edição pré-acabada na Mostra Internacional de Música de Olinda, e foi um grande sucesso.  


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Edital CFAV

Envio de propostas até 15
O Centro de Formação em Artes Visuais convida a todos os interessados em propor oficinas/workshops no ano corrente, a submeterem projetos para o edital que está aberto. Estão recebendo propostas de qualquer lugar do país, de artistas, não-artistas, interessados, professores, curadores, críticos e envolvidos com arte que queiram contribuir no processo de formação que o CFAV oferece. Para tal, é preciso mandar um projeto de acordo com o edital 2011disponível no site e aguardar a divulgação dos projetos selecionados no mesmo.

http://www.cfavrecife.org/

Banquete de Curtas

Bar e Restaurante Banquete
13 19h
Gratuito
O Cine Banquete continua recebendo vídeos para a composição da mostra competitiva Banquete de Curtas. A sétima edição da exibição cineclubista em formato inovador. O público escolherá o melhor curta-metragem através de votação na urna localizada no espaço. O vencedor ganha um jantar no próprio restaurante com direito a acompanhante.

Barô Barata

www.barobarata.blogspot.com / artejarbas@gmail.com
Conjunto de tirinhas recheadas de humor do cartunista Jarbas publicados no suplemento infantil Diarinho, do jornal Diario de Pernambuco. As histórias retratam a realidade urbana como trânsito, violência até sobre amor ou simplesmente aventuras, a partir de dois personagens, a ranzinza barata Barô e seu amigo Tapuru que enxerga tudo positivo nas situações que eles enfrentam com sua turma. A publicação tem o incentivo do Funcultura, possui 50 páginas. Encontra-se a venda nas Livrarias Cultura, Imperatriz, Jaqueira e Banca Fênix. R$ 15.

Dom Angelo Jazz Combo

Santander Cultural
16 17h
R$ 5 e R$2,50 (Meia)
No repertório, obras autorais e músicas de Miles Davis, Dave Brubeck, John Coltrane, Duke Ellington, Tom Jobim, Cole Porter, entre outros. Acompanhado por Rostan Júnior (bateria), Thiago Albuquerque (Piano) e Israel Silva (baixo acústico), o grupo faz um show clássico, leve e cheio de improvisos.

Dos Seres Imaginários

Sesc Casa Amarela
Até 31 14h às 19h
Gratuito
O projeto Vias da Arte traz as obras do artista Airton Cardim. A exposição conta com um acervo de gravuras e desenhos em nanquim em companhia da técnica de invenção urbana contemporânea, popularmente conhecida como lambe-lambe. Com um traço preciso e cheio de personalidade, o artista leva em seu trabalho uma viagem ao universo fantástico das figuras míticas, explorando o imaginário coletivo popular.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pernambuco também tem quadrinhos!

Por: Anax Botelho e Erika Fraga


Histórias em quadrinhos (HQ), graphic novel, gibis, charge, tirinhas, mangás... Todos os nomes estão relacionados aos livros e revistas que buscam contar aventuras de heróis, romances e até histórias reais por meio de desenhos. Em 1890, Alfred Harmsworth, mais tarde conhecido como Lord Northcliffe lançou em Londres a Comic Cuts, primeira revista com histórias desenhadas. Nela continha mais textos do que desenhos e seu conteúdo era satírico-humorístico. Porém existem outras fontes que apontam o norte-americano Richard Outcalt como o verdadeiro criador do gênero. Ele sintetizou o que tinha sido feito até então e introduziu o balão em suas histórias do Yellow Kid, publicadas a partir de 1897.
No Brasil, o italiano Angelo Agostini, produziu em 30 de janeiro de 1869 (Atualmente considerado o Dia Nacional do Quadrinho), As Aventuras de Nhô Quim ou impressões de uma viagem à corte, uma história que alguns estudiosos creditam como a primeira HQ. Porém só 15 anos depois ele seria responsável pela criação dos primeiros quadrinhos brasileiros de longa duração, com as Aventuras do Zé Caipora.
Independente da origem, o HQ se tornou popular em todo mundo a partir dos Estados Unidos com o estilo comics (cômicos), que leva este nome pela sua origem essencialmente humorística. Mas ao passar dos anos e o aumento da produção, ganharam outros temas e se caracterizaram com as histórias do Superman, Batman, Hulk, X-men, Homem-Aranha e outros tão influentes atualmente. Outra forma bem singular e atual é a tirinha de jornal, que no surgimento marcou a era intelectual dos quadrinhos, onde o texto ganhou mais importância que a imagem em Peanuts, de Charles M. Schulz. Um dos fatos que consolidou a importância literária do HQ ocorreu em 1992, quando Maus, de Art Spiegelman, ganhou o prêmio Pulitzer, um dos mais prestigiados da literatura mundial, no qual sempre premiava nomes da literatura e do jornalismo.
A Editora Abril deu origem as publicações do maior fenômeno dos quadrinhos no País, os de heróis da Marvel e da DC Comics, entre os exemplares estavam: Capitão América e posteriormente, Batman, Superman, Homem-Aranha e outros que publicam até os dias atuais. Atualmente a Editora Globo continua a publicar com grande sucesso os gibis da Turma da Mônica, de Maurício de Sousa, maior nome dos quadrinhos nacionais e também dos desenhos animados e longa-metragem que foram produzidos com os seus personagens. Também surge revista Heavy Metal americana lança sua edição brasileira, a Metal Pesado.
Não tem como negar que o quadrinho hoje, merecidamente é considerado uma arte. Pois, além de possuir uma linguagem própria virou um meio de comunicação, por isso, se tornaram febre nacional, sejam eles brasileiros ou internacionais. Mas o que pouca gente sabe é que Pernambuco é um grande seleiro de HQs autorais. A produção pernambucana é mais recente do que as dos outros estados, o seu surgimento se deu na década de 70, através de tiras humorísticas publicadas em jornais, tendo como pioneiro o Diario de Pernambuco. Um dos grandes nomes dessa época é o do cartunista e artista gráfico Lailson de Holanda Cavalcanti, que publicou por mais de 20 anos charges diárias no Diario de Pernambuco. Já no cenário atual quem está ajudando a fortalecer a cadeia pernambucana é o cartunista Jarbas, também do Diario de Pernambuco. Além deles, outros grandes nomes como Carlos Braga, Assis Leite, Otávio Cariello, Leonardo Santana, José Valci, Sandro Marcelo, Milson Marins, Amaro Braga, entre outros se tornaram famosos pelos seus desenhos que levam o nome do nosso Estado para o mundo.
Mas não são apenas de tiras humorísticas publicadas em jornais, que o quadrinho pernambucano é formado. As publicações de revistas também são crescentes. Infelizmente são poucas as editoras especializadas no tema, mas as que ainda persistem estão conseguindo bravamente galgar aos poucos um espaço nas prateleiras dos leitores. Exemplo disso é a Produtora Artística de Desenhistas Associados (PADA), uma das poucas produtoras pernambucana que atua nesse ramo. Criada em 1985, por José Valcir e outros componentes, ela é fruto de muita resistência. Atualmente é a produtora mais antiga e a que possui o maior número de publicações, no total são 58. Hoje, a PADA é responsável pela editoração das revistas: Prismarte, Spaceopera e Do Além, todas com uma grande aceitação no mercado. Outra editora que vem lutando contra as dificuldades do mercado é a AfroHQ do Quadrinista Amaro Braga. Umas das formas que ela encontrou para fazer com que publicações cheguem às mãos do publico, principalmente leitores iniciantes, foi à distribuição de exemplares em escolas e bibliotecas públicas espalhadas por todo o estado. Também encontramos no cenário local livros como o Barô Barata (ver Literatura) e as revistas Xorume, Fusão, entre outras. Já a Ragu editada por João Lin, é mais do que uma revista, ela é uma antologia de quadrinhos que prestigia trabalhos autorais não só de pernambucanos, como também de quadrinistas de outros países. 

Mesmo sendo publicações autorais, alguns autores locais tem como inspiração o formato americano (seja nos traços ou nas histórias que geralmente retratam os heróis) e o formato europeu (são histórias mais elaboradas com um contexto feito para pensar) conta Sandro Marcelo, membro da PADA. Mesmo tendo absorvido formatos de outras regiões as temáticas locais acabam criando uma identidade, elaborando os seus próprios heróis e vilões fugindo do fanatismo gerado pelos super-heróis americanos.
Fazer quadrinhos em Pernambuco é um trabalho que exige amor e muita dedicação, já que é preciso estar lutando constantemente por reconhecimento.  Mesmo tendo trabalhos de alta qualidade, ainda existe uma grande instabilidade no mercado local, fazendo com que os quadrinhos não recebam a valorização merecida. De acordo com Sandro Marcelo a maior dificuldade do quadrinho pernambucano é a falta de incentivo. “A produção pernambucana esbarra na insuficiência de divulgação. Para divulgarmos é necessário verba e sem verba não temos como divulgar, sendo assim, não temo como publicar em grande quantidade, então, a vendagem limita-se apenas em sites, e eventos”, explica.

Para tentar minimizar a falta de incentivo, os produtores locais encontraram como solução as realizações de festivais, concursos e palestras. Entre os eventos estão: O dia Nacional de Quadrinhos (Comemorado no dia 30 de Janeiro), Festival Nacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco, Cineflash, Dos Quadrinhos Para As Telonas e o HQMix, uma das mais importantes premiações do quadrinho nacional.

Jarbas

A produção artística dos quadrinhos está diariamente presente no cotidiano da sociedade em diversas formas e adaptações. Hoje as ilustrações se tornam pontos estratégicos no mercado e faz de jornais e revistas, produtos que também buscam no visual, agradar e conquistar os consumidores. Dentro dessa perspectiva também está presente o trabalho dos cartunistas e chargistas. Em Pernambuco, Jarbas que trabalha no Diario de Pernambuco faz com que suas ilustrações transmitam informação, contem histórias e ele continue com a sua produção artística profissional com tirinhas. Em conversa com a Agenda Cultural do Recife ele faz uma retrospectiva de quando ainda era criança e passava horas desenhando e criando histórias, sua formação e carreira profissional, seu livro, projetos futuros e comenta sobre quadrinhos, processo criativo.
Onde começa sua história com quadrinhos, desenho, charge e tirinhas?
A maioria dos cartunistas eram crianças que não paravam de desenhar. E como todos, eu tive como a primeira expressão gráfica, o desenho, a partir daí fui aprimorando e depois passou de uma atividade escolar para uma profissional. No meu caso, eu desenhava no colégio e em casa, era meu passa tempo. Meu pai era funcionário de um banco e trazia uma pilha de papel que o banco ia jogar fora, eu pegava aquilo ali e desenhava tudo em um dia, ficava conversava, criando histórias... É tanto que coloquei no livro (Barô Barata) uma frase da minha mãe, “Esse menino só vivia desenhando e falando sozinho. Parecia que tinha uma televisão na cabeça!”, ela dizia para todo mundo que chegava lá em casa, pois eu estava sempre desenhando, além de criar explosões, diálogos dos personagens... Era um desenho animado.
Qual é a sua formação acadêmica e como iniciou seu trabalho profissional?
Fiz artes plásticas e desisti, depois fiz outro vestibular para design e conclui o curso. Na minha formação, você tem um espaço muito amplo no desenho gráfico, e dentro existem vários conjuntos, desde o mais tradicional como desenho para imprensa até para celular e vídeo game, como tem no Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife cesar.org.br(CESAR). Hoje em dia, também podemos atuar em casa, com um trabalho legal, você começa a divulgar em um blog e a partir daí, envia para as editoras, revistas e pode acontecer de receber uma proposta de free lancer. Meu início na área profissional foi no final de 1998, quando surgiu o jornal Folha de Pernambuco e um colega que fazia jornalismo e conhecia a tirinha do barô, disse para eu enviar uma para a redação da Folha, pois o jornal quase não tinha tira. Mandei e fui chamado para fazer um estágio como ilustrador, mas a tirinha não foi publicada nesse período. Após cinco anos, depois de uma reforma gráfica, eu sugeri um suplemento infantil, até então só quem tinha era o Diario de Pernambuco.  Foi daí que criamos uma sessão de tira e foi quando o Barô Barata emplacou na imprensa.
Como o seu trabalho é encarado atualmente e qual função social você definiria para ele?
Muita gente diz “Rapaz, tu trabalha com desenho?”, acha que você está se divertindo e muitas vezes desmerecem o trabalho. Acham que tem um esforço menor para produzir aquilo, e não é verdade, pois para produzir uma tira, uma charge, existe um desgaste muito grande. Um dos fatores é que, deve ser muito seletivo, tem que ter uma grande pesquisa, conhecimento de público... E tem que estar por dentro das notícias. Na charge você pode fazer rir ou refletir sobre um problema ou antecipar algo, levantar um questionamento. Além do desenvolvimento da técnica, pois para chegar ao traço, o profissional passou anos estudando, desde a pintura a mão ao desenvolvimento gráfico. Já o profissional tem a função de passar a informação em 15 segundos para que o leitor fique sabendo, reflita e pensando sobre a solução daquele fato. O cartunista dá uma cutucada no leitor, na sociedade.
Você já conquistou diversos prêmios com seu trabalho, quais destacariam?
O primeiro prêmio da minha carreira foi em um salão de humor comemorativo aos 400 anos de Natal em 1999, era uma história em quadrinhos, chamada de Visão 359 graus. Tratava-se de uma borboleta que se envolvia em um acidente e até entender que era um acidente, você tinha que chegar ao final da história, pois só via tudo girando. A partir disso comecei a me escrever, ganhei cinco vezes no festival de humor daqui, fui premiado no salão da imprensa de Porto Alegre, entre outros. Em 2010, ganhei o World Press Cartoon (WPC), em Portugal, que é um dos prêmios mais importantes do mundo na área do humor gráfico, este foi muito marcante, é como tivesse ganhado um Oscar. Fui para Portugal e tinha um carro todo adesivado com o meu cartum, todo lugar que eu ia era com esse carrinho e no dia da abertura o espaço estava lotado, você se sente valorizado pelo seu trabalho.
Recentemente você publicou um livro de tiras. Como se deu o processo, a história do personagem e  têm projetos futuros?
É uma coletânea de tiras do Barô Barata que atualmente é a única tirinha produzida e publicada na imprensa local. Infelizmente, por uma questão de distribuidora para conseguir um espaço é um pouco difícil, mas hoje existe um fator muito positivo que é a internet. A história do personagem vem da época do colégio, o Barô Barata quando fui entrando na adolescência, se tornou muito chato, ele era de protestar, isso na minha cabeça... Mas eu desenhava no caderno. Aí quando fui produzir as tiras para o jornal, se eu ficasse com ele muito chato, teria um espaço de piada reduzido, sempre a coisa do mau humor. Então criei o oposto do Barô Barata que é o Tapuru, extremamente feliz, que tudo encara de forma positiva e nunca está mal humorado, é prestativo... Os dois juntos formam uma pessoa, pois todo mundo tem seu lado chato e seu lado legal. Daí ficou mais fácil fazer as piadas, depois foi surgindo outros personagens inspirados em pessoas da vida real ou não, e ai eu fui incrementando. Todo mundo tem aquela vizinha que cria problema, aquele menino que é hiperativo e a partir daí se cria um personagem... Na história tem o cachorro, que foi inspirado no cachorro da minha irmã. E como as histórias retratam problemas da sociedade em uma grande cidade, pois eles vivem na cidade chamada de Casca Grossa, todo mundo tem uma história que se identifica ou já passou. Portanto uma coisa que era para agradar criança passou agradando todo mundo. Eu me surpreendi no lançamento do livro com a quantidade de adultos, senhores dizendo que liam. Um senhor aposentado, disse que a primeira leitura do sábado era o Barô Barato e eu fiquei sem saber que tinha alcançado um publico tão amplo. Agora o pessoal está pedindo uma animação.
Como ocorre o processo criativo para as histórias?
Em minha cabeça, o personagem se mexe, anda, se movimenta. Eu só faço escolher o quadro e desenhar. Na verdade, faço o processo inverso, eu torno uma coisa que é na minha cabeça animado em estático... É uma coisa que tenho desde criança, quando desenhava, era como se fosse um desenho animado, por isso eu fazia a sonoplastia. Depois eu fiz isso com o quadrinho, já na fase profissional.
Como você define a época que os quadrinhos estão passando e como Pernambuco se comporta?
Vivemos a época dos pixes, ou bytes ou até cobres, pois as maiorias dos circuitos são feitos de cobres. Defino assim, porque o pessoal tem produzido primeiro para a internet e depois vira uma publicação, que é comum hoje. Uma editora acompanha e se interessa, ou até ganha um incentivo cultural. Os profissionais que trabalham hoje no Estado são em maioria autodidata. Tem gente de formação em design, artes plásticas, jornalismo ou até nacionalmente como o produtor de Níquel Náusea, Fernando Gonzales que é veterinário e mantêm um conhecimento na área. Mais acredito que varia muito a formação, o negócio é curtir desenho e saber contar história. Acho que você tem que construir seu espaço, eu sou do tipo que vou à livraria e vejo o meu livro escondido, pego e ponho-o exposto, deixo um na mesinha... Você tem que ficar se movimentando até o negócio engrenar. E Pernambuco, o nordeste é um berço cultural e o quadrinho é uma ferramenta muito importante para se divulgar o que tem aqui em Pernambuco, pois qualquer personagem pode retratar um pouco da terra.